Você vai dizer
Eu não fiz por mal
Eu não quis te magoar
E eu vou dizer
que seria ideal
fugir, te abandonar
Pra sempre... Pra sempre...
Começa a chovere
lágrima vai se misturar
com água que cai do céu
E ao anoitecer
em vão, eu tento encontrar
o que, de mim, você levou
Pra sempre... Pra sempre...
Perdoa por eu não poder te perdoar!
Dói muito mais em mim não ter a quem amar
Ecoa, em mim, o silêncio dessa solidão
Pudera eu viver sem coração...
Em cada poça dessa rua você vai me ver!
Em cada gota dessa chuva você vai sentir minhas lágrimas!
E a cada dia da sua vida você vai chorar
lágrimas sofridas que não vão somar um décimo do que eu sofri!
E o quanto eu sofri...
Eu pude ver o sol desaparecer
Do seu rosto
Dos seus olhos
Da sua vida
terça-feira, 24 de julho de 2007
carlos drummond de andrade
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar
.Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme.
Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.(...)(...)
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,tão calma.
Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,tão calma!
Vai inundando tudo
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar
.Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais,
me exponho cruamente nas livrarias:preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme.
Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.(...)(...)
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,tão calma.
Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,tão calma!
Vai inundando tudo
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Camões)
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Camões)
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